ㅤㅤㅤㅤDarlene, este era o seu nome. Já faz muito tempo que ela se mudou da nossa vizinhança, mas havia algo nela que muito me instigava e eu não gostava.
Uma vez, enquanto jantava com minha família, assisti no noticiário que havia uma serial killer na cidade onde eu morava e moro até hoje. Seus crimes eram cometidos sempre no mesmo horário, às 6 horas da tarde. Não que ele matasse as pessoas na frente dos outros, mas a análise forense que determinou tal horário baseada nas marcas deixadas nos corpos.
ㅤㅤㅤㅤEu tinha uns dezesseis anos. Ao mesmo tempo que achava aquela história de serial killer um máximo, como nos filmes, também o via como uma calamidade; coisa de adolescente, mente indecisa e etc.
ㅤㅤㅤㅤNunca gostei de Darlene. Desde o primeiro momento, quando fui cumprimentá-la no dia de sua mudança, ela mal me recebeu, como se realmente não quisesse contato com ninguém. Mas o dia que deixou definitivo o que eu pensava sobre ela foi na semana seguinte, de madrugada, quando acordei com uma barulheira sem fim. Fui para a janela a fim de descobrir a origem dos ruídos; era a vizinha. Não não pude ver muito bem o que era, pois ela estava dentro da garagem, mas quando saiu, carregava consigo um saco de lixo preto cheio, vazando um líquido rubro e aparentemente viscoso. Fiquei aterrorizado, atônito, mas voltei a dormir, queria esquecer o que tinha visto a qualquer custo.
ㅤㅤㅤㅤNo dia que se sucedeu, na hora do almoço, passou uma reportagem sobre Serial Killer novamente, desta vez com uma nova vítima. Brincando, minha mãe disse: "dizem que a vizinha sai de casa todos os dias às 5 horas da tarde." Foi uma mera brincadeira, mas ela não tinha visto o que eu vi.
ㅤㅤㅤㅤNão falei nada para a minha mãe, pois poderia estar cometendo um equívoco, poderia ser simplesmente uma coincidência, mas mesmo assim desconfiava por causa do saco de lixo.
ㅤㅤㅤㅤVivíamos numa vizinhança relativamente distante da metrópole, onde os crimes eram cometidos. Aproximadamente 40 minutos até lá. Nada impedia que a vizinha levasse 20 minutos a mais para assassinar alguém.
Para ser sincero, nunca descobri a verdade. Meses depois ela acabou se mudando novamente. No entanto, logo após sua mudança, a onda de mortes cessou, o que me deixou muito assustado, com medo, mas mesmo assim muito interessado. Somente eu sabia a verdade?
ㅤㅤㅤㅤSerá que ela matava mesmo as pessoas? E o que havia naquele saco preto? Oh! Eu daria um boi para não ter descoberto nada daquilo, ter continuado com minha vida normal, mas é como dizem, agora dou uma boiada para descobrir a verdade sobre este mistério.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤPedro Garcia
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A Vizinha
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