sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Guerra Sem Sentido

ㅤㅤㅤㅤO ano era de 1942, plena Guerra Mundial. Um pai, jovem, acompanhava seu filho num passeio noturno à praia. Seus semblantes eram indecisos, ora esboçavam alegria ─ principalmente o garoto, que degustava de sua primeira visão do mar em um momento único, maravilhado ─ ora esboçavam melancolia. Um barco ao horizonte chamava a atenção dos dois. No meio daquele oceano de águas negras, as luzes vermelhas da embarcação pareciam dançar.
ㅤㅤㅤㅤJá estava ficando tarde, era hora de voltarem.
ㅤㅤㅤㅤNo dia seguinte, após tomarem o café-da-manhã, deixaram a residência para aproveitar o dia antes que fossem separados. Resolveram que a primeira parada era a biblioteca municipal, um lugar enorme, repleto de livros antigos e novos. havia um em especial, velho e surrado, que chamou a atenção do garoto. Sua capa era verde e o título dizia algo em alemão. Pelo pouco que sabia dessa língua, compreendeu o assunto abordado pelo livro. Seu rosto tomou uma aparência triste e enfurecida. Pegou na mão do pai e puxou-o até que deixassem o lugar. O céu cor de âmbar de antes transformara-se em um céu chuvoso; uma chuva fina e leve. Abriram o guarda-chuvas azul e continuaram o passeio. A cada passo, o jovem ficava mais entristecido e angustiado, bem como seu pai, seria o último passeio que faria naquela lugar que tanto ama.
ㅤㅤㅤㅤPerderam a noção do tempo. Quando olharam para o relógio de um restaurante, já era hora do almoço. Resolveram almoçar naquele lugar mesmo, o qual não era de todo mal. Tomaram seus assentos e fizeram o pedido. Durante a confecção do prato, o pai sequer olhou para o filho, com medo de ver aquele rosto triste e ficar ainda mais deprimido, fixando os olhos na mesa e durante o almoço, sequer trocaram palavras. Assim que terminaram de comer, viram que era "a hora".
ㅤㅤㅤㅤEncaminharam-se para a ferroviária sem atrasos. O pai entrou junto do filho num trem com vagões vermelhos para ajudá-lo com a bagagem. Quando faltavam instantes para o trem partir, o pai saiu e ficou olhando seu filho aflitamente pelo lado de fora da janela. O trem partiu. Lentamente ia tomando velocidade e enquanto o garoto acenava para o pai, este bateu continência, na esperança de que seu filho entendesse o motivo da separação.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤPedro Garcia

Nenhum comentário:

Postar um comentário