sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Faroeste Sob a Sombra da Lua

(UNICAMP)
ㅤㅤㅤㅤO que estou para narrar não é apenas um caso incomum e misterioso. É também a história de uma fatalidade. Tudo começou em uma tarde clara de outono, quando Theodore Morgenstern, ao chegar em casa, encontrou um estranho conjunto de símbolos inscritos no batente esquerdo da porta da frente. No dia seguinte, o milionário californiano reparou que outros estranhos símbolos haviam sido inscritos no batente direito; no terceiro dia, mais símbolos apareceram no batente esquerdo. Sua esposa, Moonshadow, desde o aparecimento das primeiras inscrições, passava o dia examinando antigos recortes de jornais, enrolada em uma manta indígena, entoando estranhos cânticos.
ㅤㅤㅤㅤNa tarde do quarto dia, Theodore encontrou um novo conjunto de símbolos, agora inscritos na própria porta. Ao entrar em casa, constatouo que Moonshadow havia desaparecido. Procurou imediatamente a polícia. Foi assim que esse estranho caso chegou às minhas mãos. Comecei por tentar decifrar o significado dos símbolos, que descobri fazerem parte de um código alfabético. Consegui decifrar algumas palavras como (the) PAST (is) BACK DEAD no batente esquerdo e "GO AWAY", "VENDETTA" no batente direito. Mas, e os desenhos no centro da porta? Certamente não se tratava do mesmo código...
ㅤㅤㅤㅤBlakcwater andava muito vazia ultimamente. Com medo do autor daqueles símbolos, as pessoas mal saíam de suas casas, até mesmo o Saloon estava fechado. De uma pequena cidade desenvolvida, qualquer visitante em seu cavalo pensaria que aquela se tornara uma cidade-fantasma.
ㅤㅤㅤㅤEra manhã quando um de meus assistentes, ou capangas, como alguns os chamavam, entrou desesperado em meu gabinete.
ㅤㅤㅤㅤ─ Xerife, os nativos raptaram o Sr. Morgenstern!
ㅤㅤㅤㅤ─ Tem certeza disso, Dalton?
ㅤㅤㅤㅤ─ Sim! Eu os vi carregando o Sr. Morgenstern amarrado em seu cavalo. Também disseram que deveríamos nos encontrar com eles na cabana da Floresta se o quisermos vivo!
ㅤㅤㅤㅤ─ Já chega! ─ Disse irritado. ─ Esses nativos apavoram MINHA cidade e depois raptam um de meus cidadãos?! Vamos Dalton, ninguém vai sair impune por badernas em Blackwater!
ㅤㅤㅤㅤ─ Sim senhor, Sr. Marshall!
ㅤㅤㅤㅤTerminado o relato de meu assistente, pedi para que chamasse os outros. Assim que partiu para cumprir o que ordenei, equipei-me com uma pistola e uma espingarda de longo alcance. Quando deixei o departamento, montei em meu cavalo com pêlos tão negros quanto a noite mais combria do inverno e, junto de meus quatro capangas, invadimos floresta a dentro em busca da cabana, o que não foi de todo complicado, uma vez que havia uma estreita estrada de terra que nos encaminhava até lá.
ㅤㅤㅤㅤAssim que chegamos, fomos recebidos pelos nativos. Se bem que não pareciam nativos... foi quando realizei que não eram índios, mas membros da gangue de Van Ferrier, que era composta por nativos, de fato, mas estes já eram mais civilizados que os demais, algo comum no Faroeste Americano.
ㅤㅤㅤㅤEntrei na cabana com dois capangas, enquanto os outros dois permaneceram no exterior, fazendo a vigia. Haviam três da gangue de Van Ferrier: enquanto um segurava Theodore, o outro apontava uma arma para sua cabeça e o terceiro começou a falar.
ㅤㅤㅤㅤ─ Nós capturamos Moonshadow, a traidora. Theodore também foi capturado para pagar pela traição de sua esposa.
ㅤㅤㅤㅤ─ Ora, vamos, soltem-o. Pensei que fossem civilizados!
ㅤㅤㅤㅤ─ Civilizados? Quer dizer que somos como vocês, engomadinhos da cidade? Van Ferrier apenas nos mostrou a verdade e muniu com armas melhores. Ainda somos os que chamam de "nativos", senhor "xerife".
ㅤㅤㅤㅤNaquele isntante, o que apontava a arma para a cabeça de Theodore puxou o gatilho. No mesmo momento, eu e meus dois capangas sacamos nossas armas e rapidamente atiramos antes que pudessem reagir. Saímos da cabana correndo e montamos em nossos cavalos, juntos com os outros dois. Era uma emboscada! De trás das pedras e árvores, membros da gangue de Van Ferrier surgiram e começaram a atirar em nós. Corremos o mais rápido que nossos cavalos podiam suportar, chegando à cidade, por sorte, sem nenhum arranhão. Perdemos Theodore.
ㅤㅤㅤㅤTudo permaneceu calmo por alguns dias em Blackwater, sem sinal de movimento da gangue de Van Ferrier. Até que um nativo, montado em um cavalo de baixa qualidade, surgiu na porta da delegacia atirando para cima e então foi embora. Em instantes, e e mais uns doze patrulheiros estávamos perseguindo-o, chegando à base da gangue. Era outra emboscada, mas estávamos prontos. Eram muitos, fomos recebidos por uma relva de tiros por todos os lados; os devolvíamos com mesma intensidade, executando boa parte deles.
ㅤㅤㅤㅤAo invadirmos o HQ, demos de cara com mais capangas e, ao fundo, ninguém mais, ninguém menos, que Van Ferrier, um homem parrudo, com um bigode vislumbrante, carregando uma machine gun, ao lado de Moonshadow que morria lentamente, sufocada pela corda em seu pescoço.
ㅤㅤㅤㅤFoi uma guerrilha terrível, perdi alguns de meus homens, mas Van Ferrier perdeu todos. Não tinha tempo a perder, tinha de fazer algo, a Moonshadow morreria, no entanto, não era viável nenhuma aproximação. Saquei minha espingarda e corri contra o tempo, mas no final consegui acertar a corda num tiro certeiro, livrando-a do sufoco. Ao mesmo tempo, meus homens atiraram em van Ferrier, que não suportou e faleceu.
ㅤㅤㅤㅤAgora estava tudo resolvido. Peguei Moonshadow toda ferida em meus braços e a levei em segurança para Blackwater, onde seria tratada pelos médicos. A notícia de que o líder da gangue teria morrido acalmou as pessoas, tornando Blackwater a mesma cidade movimentada que era antes.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤPedro Garcia

Nenhum comentário:

Postar um comentário